29 de set de 2015

Parceria - Cesar Bravo


Caverna de Ossos

A questão é: O que você faria?
Uma bela manhã depois de uma noite de tempestade você resolve brindar o sol com seus olhos. Você está na tranquilidade de sua casa até que abre a porta...
E agora você está em uma ilha; os vizinhos ao seu lado não são os mesmos, a casa dos vizinhos ao seu lado não é a mesma. Sua família entra em pânico, você entra em pânico, o mundo de um dia para o outro passa a ter a impossibilidade física de fazer sentido.
Com as famílias que acordaram em Paraíso aconteceu o mesmo. 
E junto com toda essa novidade encontraram manuais com sua nova vida. Ar condicionado, novas escolas, novos empregos, novos e altos salários. Enfim; nada é tão mal assim.
Mas a noite o nevoeiro e os gritos tomam as ruas. Sempre depois da sirene que toca as oito a valentia de cada habitante da ilha é testada e toda mãe tenta trazer o filho de volta à placenta. A facilidade mesmo assim tenta corrompê-los. Quem precisa da noite afinal? O salário é bom, as escolas fantásticas e ora essa! Estão todos em uma ilha paradisíaca!
E a sirene toca outra vez, levando uma criança na calada da noite. Depois uma jovem, depois suspiros invadem as portas das casas, testando coragem e fechaduras.
Mas eles não sabem que nas noites de gritos fantasmas vagam pelas ruas; demônios. A grande surpresa para eles é que a ilha talvez seja um local místico de saldos e dividendos. Um lugar maldito que atrai a dor como a luz de um lampião atrai mariposas.
Ninguém acorda no Paraíso por acaso.
Ou no inferno.
A questão é:
E se você estivesse preso em uma ilha onde pessoas desaparecessem; e morressem?


Biografia:
Cesar Bravo é uma boa promessa para a literatura de suspense e horror nacional. Dono de uma imaginação que impressiona, cria situações que desafiam o bom senso humano com imagens vívidas e corrosivas. Seus livros são recheados de cenas que contém o suspense em sua forma mais intensa.
Para torná-las mais indigestas para a mente do leitor, Cesar torna-se um atalho para nossos pesadelos. Não há como ignorar suas criações. Quem o lê começa a experimentar uma visão diferenciada do mundo, uma visão cujo senso crítico se mistura com o impossível. Não há como fechar os olhos ou a mente depois que começamos a ler Cesar Bravo.
Nascido em vinte e sete de junho de 1977, Bravo descobriu tarde como fazer algum dinheiro com literatura. Já trabalhou como músico, farmacêutico, na construção civil e no varejo. Talvez por isso o estilo de escrita de Cesar seja tão diferenciado, como uma voz que você prefere não ouvir; uma que aponta os becos mais escuros e assustadores da psique humana.
Cesar é naftalina dentro de um tanque de gasolina. Um anárquico incendiário.
Seus livros contêm novas fórmulas para fobias conhecidas, às vezes situações íntimas como uma briga entre pai e filho, outras vindas diretamente do inferno. Suas histórias se passam nos lugares mais normais possíveis; bares, supermercados, numa casa solitária, cemitérios ou no meio de uma estrada ensolarada onde o asfalto derrete seus pés. O medo não escolhe moradas, afinal.
Só existe um problema em deixar que as histórias de Cesar entrem por seus olhos:
Eles nunca mais enxergarão da mesma maneira.

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